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Mbappé doou prémio do Mundial a ONG: “Não precisava de ser pago”

Internacional francês lembra que recebe “muito dinheiro”, e sublinha que foi à Rússia para “defender as cores” do seu país.

Kylian Mbappé é a capa da edição de outubro da revista Time, publicação à qual concede uma extensa entrevista onde explica como foi passar de um mero desconhecido a um dos melhores jogadores do mundo num tão curto espaço de tempo.

O avançado francês reconhece que a sua vida ficou “totalmente virada do avesso” em 2016, com a “transferência extremamente cara para o Paris Saint-Germain”, que terá rendido, ao Monaco, uma verba na ordem dos 180 milhões de euros.

“Embora seja feliz e viva a vida com que sempre sonhei, sinto que tenha perdido algumas coisas. Não tive os momentos que as ‘pessoais normais’ têm durante a adolescência, como sair com os amigos, passar um bom tempo. Entrei diretamente no mundo dos crescidos, e eles exigiram imediatamente que me comportasse como um adulto”, explicou o jogador de 19 anos.

Ainda que desfrute de uma vida confortável, fruto do vencimento que aufere no PSG, Mbappé não se deslumbra. Tudo porque, explica, os seus pais lhe ensinaram o “valor do respeito”: “Penso que é a base para tudo. Aprendi que as maiores estrelas e os melhores jogadores são os humildes, os que mais respeitam as pessoas. É por isso que são respeitados por todos”.

“Podemos ser os melhores e os campeões do mundo, e, em quatro anos, somos esquecidos, porque houve alguém que chegou e fez um trabalho melhor do que nós. Penso que há três requisitos: respeito, humildade e lucidez”, apontou.

Na mesma entrevista, Mbappé revela o que o motivou a entregar os cerca de 430 mil euros que recebeu como parte do prémio pela conquista do Campeonato do Mundo, pela seleção francesa, à instituição Premiers de Cordée, que apoia crianças desfavorecidas.

“Não preciso de ser pago. Estava lá para defender as cores do meu país. Além disso, recebo dinheiro suficiente, muito dinheiro. Por isso, penso que é importante ajudar aqueles que mais precisam. Muitas pessoas estão em sofrimento, doentes. Para pessoas como nós, ajudar não é nada demais. Não muda a minha vida, mas muda a deles. E, se pode mudar a deles, é um grande prazer. Doei o dinheiro à instituição que apadrinho porque ser deficiente é complicado. Mostrar-lhes que podem praticar desporto como qualquer um é algo que me aquece o coração”, rematou.

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